Ensaio sobre política: Uma homenagem a Montaigne
Será a política um poema de Allen Ginsberg? Nua e explícita. Será a política uma caixa de Pandora? Que como tal, é melhor não ter seus segredos revelados.
Fato é que, apesar de sua frugalidade para com a maioria, temos a impressão de que ela se apresenta bem assanhada e íntima para outros.
Será que temos uma compreensão errada do que é política? Temos ao menos noção real do que isto possa ser?
A política é um fenômeno estranho. É como aquela pessoa que esbarramos na rua, a qual não conhecemos, mas temos a sensação de já ter visto em algum lugar. A sensação de nos ser comum aos sentidos.
A política nos causa estranheza, aversão, mas ao mesmo tempo é sedutora e desperta nossa curiosidade.
É de fato um fenômeno estranho, por vezes incompreensível, mas fascinante. Imprescindível à vida em comunidade. Eu diria inevitável. O ser humano é um animal social, logo, necessariamente um animal político.
Na História das sociedades, muitos estudiosos, filósofos e escritores já teceram escritos sobre política que se acumulam pelos tempos.
Por mais que a política pareça algo abstrato, que pensamos muitas vezes não enxergar, ela sempre esteve e estará lá, mediando as relações humanas e influenciando nossas vidas, sempre mais do que realmente acreditamos.
Na História recente do mundo temos visto conflitos, confluências e divergências entre concidadãos ou mesmo familiares.
Acredito que toda essa ebulição de sentimentos e ideologias são não menos do que provas do quanto estamos cercados e influenciados, para o bem e para o mal, por esta que alguns consideram uma arte, a arte de se fazer política.
Não é pra tanto! Ao meu modo de ver, a política são apenas as engrenagens inevitáveis daquilo que é inato às relações humanas.
A política é um fenômeno transversal, contínuo e permanente. Outras sociedades já enfrentavam seus desafios, dentro de algumas concepções que podem ser pessoais, algumas dessas sociedades lograram êxito e outras não. Pois bem, também haveríamos de enfrentar nossos desafios.
Ao meu modo de ver, um dos maiores desafios que enfrentamos a tempos é a compreensão, ou falta de, do que é política.
Como eu já havia dito, muitos pensadores, em tempos distintos, já se puseram a propor, se não o fato político em si, se é que é possível trabalhá-lo no singular, correlações e fatos humanos ou sociais ligados à política.
Levando-se em consideração que a política é um ato intrínseco à humanidade ou a vida humana, poderíamos dizer que, tudo é política ou ao menos está envolto em seus meandros.
Quando nós fazemos a pergunta: O que é política? Acredito termos em mente a concepção de o que queremos fazer com o mundo e de que forma.
Todavia, indiferente às minhas noções e concepções de política e o que eu desejo fazer com o mundo, nada disso na verdade importa, pois o mundo sempre resistirá às minhas vontades. Temos que lidar com isso, e isso por si só já é fazer política.
Ter uma concepção própria de política na verdade não importa, o que importa é eu lidar com o mundo e com o ambiente e obviamente, como eu faço isso. Na verdade, me aparenta as vezes que, mesmo alguns políticos ditos profissionais, possuem concepções muito particulares.
O fazer política, na verdade ocorre cotidianamente, no momento em que expomos nossas concepções e vontades e buscamos ou lutamos para impor nossas concepções e vontades no mundo.
As concepções de política são várias e pessoais. Podemos ser anarquistas, comunistas, democratas ou preferir café sem açúcar. Nenhuma dessas concepções pessoais, na verdade, importam muito, ao pensarmos o ato político, que se fundamenta na práxis. Não há política sem ação concreta.
Quando dizemos que tudo é política, isso se torna vago e nada passa a ser política. Dessa maneira, reconhecer a experiência política acaba perdendo relevância.
Só conseguimos reconhecer a política quando há oscilação temporal. Só conseguimos reconhecê-la quando há mudanças na estrutura da sociedade. Perturbações no estar do homem ou das sociedades.
É realmente difícil dizer o que é política, mas sabemos apontar quando ela aparece, quando ela é e quando ela está.
Ao invés de dizermos que tudo é política, a forma mais correta seria dizermos que tudo pode ser política.
Tudo na história humana pode manifestar a experiência política. Tudo na experiência humana pode manifestar esse estado em que torna a política relevante.
O que há também, são momentos em que a experiência política se torna mais relevante do que outros. É nesse estado de acentuação que se possibilita sua percepção.
Tudo pode ser política, só depende do seu grau de acentuação. Nossa escolha de permanência ou não em um determinado local é um ato político, só que sua relevância muitas vezes é baixa. Isso não exclui a política de estar alí.
No cotidiano, geralmente, a politicidade de nossos atos é baixa, o que novamente não a exclui.
A pergunta correta não é o que é, mas quando é política.

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